Tag RFID: por que a etiqueta certa faz toda a diferença no seu projeto
Quando uma empresa começa a cogitar e testar RFID, uma frase aparece com frequência nas primeiras semanas: “colocamos as etiquetas, mas o leitor não pega tudo”. E a percepção de que a tecnologia não funciona para aquele tipo de operação costuma vir rápido. Conheça a Tag RFID.
Na maioria das vezes, o problema não está na tecnologia do RFID. Está na tag.
Existem muitos tipos de etiqueta para RFID, cada um pensado para um material, uma distância de leitura e um ambiente diferente. Escolher a errada é como colocar um pneu de passeio num caminhão: até anda, mas não do jeito que deveria.
Muitas empresas estão se frustrando, pois gastaram tempo, fizeram um investimento alto e, no final, perceberam que a operação está com o mesmo processo moroso.
Neste texto, quero explicar de um jeito simples o que muda de uma tag para outra e como acertar na escolha.
O que é uma tag RFID?
A tag RFID é composta basicamente por um chip e uma antena. Quando o leitor emite o sinal, a antena da tag capta essa energia e responde com as informações gravadas no chip. É isso que permite ler dezenas de itens ao mesmo tempo, sem precisar enxergar cada etiqueta.
O ponto importante é que essa antena é desenhada para funcionar em determinadas condições. E é aí que começam as diferenças.
Tag passiva ou ativa?
A primeira divisão é entre tags passivas e ativas.
A tag passiva não tem bateria. Ela usa a energia do próprio leitor para responder, não precisa de manutenção e pode funcionar por muitos anos. É o tipo mais comum no varejo, na logística e no controle de estoque, justamente por ser mais barata e simples.
A tag ativa tem bateria própria e transmite o sinal por conta própria, geralmente por Bluetooth ou wifi. Ela custa mais e costuma ser usada em situações específicas, como rastrear ativos de alto valor ou veículos em pátios grandes.
Para a grande maioria das operações de estoque e expedição, a tag passiva é o caminho.
A frequência muda a distância de leitura
Outra diferença importante é a frequência. As tags de baixa frequência (LF) e de alta frequência (HF) leem em distâncias curtas, por volta de 30 centímetros. O NFC, que é um tipo de HF, foi feito para leitura bem de perto, de uns 2 centímetros, como acontece quando você encosta o celular em algo.
Já as tags UHF são as que permitem ler a vários metros de distância e capturar muitos itens de uma vez. Por isso, são as mais usadas em inventário, conferência de cargas e controle de estoque. Mesmo assim, essa distância depende bastante do ambiente onde a etiqueta está.
O desafio do metal e do líquido
Aqui está o motivo de boa parte das frustrações com RFID.
O metal reflete o sinal do leitor para longe da tag, e a água absorve essa energia. Uma etiqueta RFID comum colada direto numa superfície metálica pode simplesmente não ser lida. Com líquidos, acontece algo parecido. Em um pallet de garrafas ou latas, por exemplo, os itens do meio podem ficar invisíveis para o leitor, porque o sinal não chega até lá.
Isso não quer dizer que o RFID não funciona com esses produtos. Quer dizer que eles precisam de tags próprias para isso. Existem tags feitas para metal, que usam um espaçador entre a antena e a superfície ou até aproveitam o próprio metal para reforçar o sinal. Também existem antenas ajustadas para produtos com muita água. Essas tags custam mais que as comuns, por isso a pergunta certa é se esse investimento se paga na sua operação.
Como escolher a tag RFID certa
Na prática, alguns pontos ajudam a acertar na escolha.
Pense primeiro no material do produto ou da embalagem. Papelão, tecido e plástico costumam funcionar bem com etiquetas comuns. Metal e líquidos pedem tags específicas.
Depois, defina a distância de leitura de que você precisa. Ler uma caixa no balcão é bem diferente de ler um pallet inteiro passando por um portal na doca.
Considere também o ambiente. Algumas tags precisam aguentar lavagem, calor, umidade ou impacto. Outras precisam sair sem deixar resíduo ou ser à prova de violação.
E não se esqueça do formato. Há etiquetas adesivas, inlays para colocar dentro da embalagem e tags rígidas para ativos que circulam por anos. O tamanho também importa, principalmente em itens pequenos.
Comece pequeno e teste antes
Uma recomendação que se repete entre quem trabalha com RFID é começar por uma parte da operação, medir o resultado e só depois ampliar. Em uma matéria recente da Mercado&Consumo, a Beontag cita o caso da Pernambucanas, que, segundo a empresa, chegou a 100% de acuracidade de inventário depois de adotar a tecnologia.
O teste com a tag certa, no produto real e no ambiente real, evita descobrir o problema só depois de etiquetar milhares de itens.
Outro ponto é a impressão e a gravação das etiquetas. Impressoras com codificador RFID, como a Zebra ZT411 na versão RFID, imprimem e gravam a tag ao mesmo tempo e já avisam quando uma etiqueta sai com defeito. Para a leitura, existem coletores que funcionam com acessórios RFID, como o leitor Zebra RFD40, que se acopla a modelos da linha TC.
Para fechar:
Quando a tag RFID é escolhida pensando no produto, na distância e no ambiente, a tecnologia entrega o que promete. Quando não é, a culpa acaba caindo no RFID, sem ser dele.
Não pense que, por ter uma operação grande e com muitos processos, implementar o RFID será o ideal. Primeiro, fale com especialistas para analisar o seu cenário e não se frustrar no fim.
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